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sexta-feira, 14 de junho de 2013

Carta de Bissau - História do Adile Sebastião e dos ”Fidjus di Bideras”

História do Adile Sebastião e dos  ”Fidjus di Bideras”

Advertência ao leitor: prepare o seu lencinho porque vai chorar, pois o que ler é mesmo para fazer verter lágrimas, muitas.

Nem tudo na Guiné-Bissau é política, ou pelo menos política dura, suja e violenta. E nem toda a gente transpira corrupção e droga. Há muita gente boa (e alguma má) em todos os grupos sociais e em todo o lado neste nosso mundo. Posso citar muitos países na África, da Ásia, Europa, Américas, onde, em termos per capita, há mais sacanagem e mais crimes se praticam do que nesta Terra de Deus, a Guiné-Bissau.

Esta é uma terra abençoada com muita água, chuva, rios e lagos. Um mar muito, muito rico. Mas esta enorme riqueza marinha está a saque em pleno dia por centenas de traficantes, oriundos de países que falam muito sobre a droga na Guiné-Bissau, mas não dizem uma palavra sobre a pesca ilegal, espoliando e levando à ruína milhões de gentes simples de toda esta região da África.

Enquanto o vizinho Senegal está sendo devorado pelo deserto do Sahel, asfixiado pela poeira, a Guiné-Bissau exibe verdura luxuriante, com belas florestas de madeiras raras que ate atraem comerciantes sem escrúpulos do Império do Meio.

A Guiné-Bissau foi também abençoada com um povo bom, avesso à violência. Aqui há tradições ricas, profundas, místicas, difíceis de decifrar; há dança, música, poesia, cinema.

Já fui a um concerto de jazz com orquestra. No passado, fui frequentador dos grandes clubes de jazz em Greenwich Village, Nova Iorque, mas um concerto de jazz com uma orquestra sinfónica, só em Bissau! Foi no Centro Cultural Francês, com agendamento cultural variado toda a semana, onde assisti a esse fabuloso concerto de jazz apresentado por um famoso grupo alemão. O Centro Cultural Francês é um magneto na cidade, atraindo centenas de pessoas, de todas as idades, cada semana.

O Centro Cultural Brasileiro não fica atrás, com muitas atividades culturais, musicais, literárias e cinematográficas de grande qualidade.

O Centro Cultural Português é muito mais parco em atividades. Sou bem timorense, mas a minha costela luso-judaica faz-me viver e sofrer com Portugal e fico triste quando oiço falar deselegantemente do CCP. Dizem que ali só há o jornal “A Bola”! Dou a mão `a palmatória…ainda não fui lá. Hei-de ir e tenho esperança em desaprovar aqueles que falam mal do Centro Cultural Português. Vou descobrir que, além do venerado jornal “A Bola”, há muito mais eco da grande herança cultural portuguesa.

Políticos não faltam na Guiné-Bissau. Há mais de 30 partidos políticos. Isto significa que não falta gente com ambição de governar. Há também universitários sem conta, desde advogados a economistas, até médicos. As Forcas Armadas têm oficiais altamente formados, licenciados e mestrados. Ouvimos falar apenas no General António Injai, mas há muitos outros, jovens e de grande intelecto.

E aqui atribuem-se todos os males, dos pequenos aos mais graves, aos militares. Pude comprovar alguns incidentes em que, com a maior desenvoltura, se acusava os “militares” para, após alguma averiguação por mim feita, se vir a concluir que, afinal, nenhum militar estivera envolvido.

Há comerciantes experientes, relativamente bem sucedidos, aqui e na região. Mas, então, porquê esta estagnação e depauperamento? Hoje decidi escrever só sobre as coisas boas, pois das más toda a gente escreve.

E vou partilhar com vós (sim…com vós…não digo convosco, pois gosto mais de dizer com vós…) uma história bonita, que faz chorar...

É a história do Adile Sebastião. Ele é o segundo de sete filhos do casal Domingos Armando Sebastião, empregado comercial de 60 anos, e Abelina Biaguê, doméstica e vendedora, de 51.

Conheci-o há umas semanas, quando aceitei um convite para assistir a um jogo de futebol promovido pela Academia Fidjus de Bideras (crioulo), o que em português significa “Filhos das Vendedeiras”. O estádio, recém construído pela cooperação chinesa, fez-me inveja, sendo timorense. Nós, em Timor-Leste, temos um estádio que, mesmo depois da sua reabilitação, não tem sequer metade da dimensão e condições deste estádio de Bissau.

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