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quinta-feira, 28 de maio de 2015

Memória de "Bie Ki Sa'he" Vicente Reis


Ainda nenhum livro foi escrito sobre a memória de Vicente Manuel dos Reis (mais conhecido como Bie Ki Sa’he). Um dos principais líderes da resistência timorense encarnou perfeitamente o sonho de libertação de seu povo e os procedimentos políticos e pedagógicos para a realização desse sonho. Na guerrilha foi uma espécie de Che Guevara timorense. Na luta pela educação de seu povo foi uma mistura de Amílcar Cabral e Paulo Freire.


Embora pouco conhecido pelos jovens timorenses, ele é considerado por muitos veteranos como um dos grandes heróis da guerrilha. Seu nome é citado somente em alguns parágrafos de poucos livros escritos sobre Timor. Partes de sua história aparecem timidamente apenas em algumas biografias daqueles que o conheceram.

Por essas poucas referências que encontramos, logo notamos que se trata de um personagem que merece mais estudos diante de suas contribuições na luta pela independência de Timor-Leste.

No Museu da Resistência Timorense não existe nenhum registro destacando ou homenageando o nome de um dos mais brilhantes líderes da resistência timorense.

A história registrada no Museu da Resistência Timorense não conta a vida de muitos líderes dessa guerra. Sobre essas histórias não contadas, torna-se importante o resgate e preservação da memória de grandes exemplos do passado como forma de inspirar os jovens e futuros líderes timorenses.

A história de Sa’he é apenas uma entre tantas outras que se perde por falta iniciativas que venham a preencher essa lacuna. Sem nenhuma estátua erguida em sua homenagem, a memória desse grande líder sobrevive pela boca do povo. Assim, na tentativa de resgate, este humilde artigo foi escrito com o objetivo de provocar uma discussão sobre a importância do registro das memórias de um povo.

O presente texto está fundamentado a partir de dezenas de entrevistas com membros da Frente Revolucionária do Timor Leste Independente (FRETILIN) e União Democrática Timorense (UDT), pessoas que trabalharam no governo português e indonésio, professores, padres, familiares e amigos de escola – diversos indivíduos que conheceram o saudoso Sa’he. Inúmeros nomes e testemunhos os quais não cabe citar todos nesse pequeno artigo.

Vicente Reis nasceu em Bucoli, distrito de Baucau, 22 de janeiro de 1953. Era filho de liurai e teve de 7 irmãos: Georgina (falecida), Mário Nicolau (Marito), Teresinha de Jesus, Marciano (morto em combate), Maria Maia, José Maria e João Leonardo dos Reis. Foi companheiro de Dulce Maria Cruz (Wewe), a timorense que veio a se tornar mãe de seu único filho, Talik Reis. Muito educado, simples e humilde, um líder que tinha o dom das palavras – assim muitos o definem.

Era carismático e tinha talentos musicais, nos tempos de estudante no Liceu Dr. Francisco Machado, como violeiro, integrou o grupo musical chamado Os Acadêmicos. Ele gostava das músicas e cantigas timorenses, era um defensor da cultura e tradição de seu povo. Mesmo antes de Portugal abandonar Timor ou de a Indonésia invadir o país, o jovem estudante já falava aos amigos do liceu sobre o sonho da independência de sua pátria, como afirma Jorge Tavares. Ao concluir seus estudos no liceu, em 1972, Sa’he foi estudar Engenharia Mecânica em Lisboa, Portugal, onde não chegou a concluir os estudos devido a seu retorno à terra natal em setembro de 1974.

Em Portugal Sa’he e sua companheira Wewe fizeram parte da Casa dos Timores, um pequeno grupo de timorenses que estudavam em Portugal na década de 1970. Mao Tse-Tung, Karl Marx, Ho Chi Minh, Ernesto Che Guevara, Fidel Castro, Amílcar Cabral, Samora Machel, Agostinho Neto e Paulo Freire são alguns dos revolucionários que inspiravam esses jovens estudantes.

Na Europa eles tiveram um contato ativo com as ideias revolucionárias da luta anti-colonial de independência dos países africanos. Entre eles circulavam textos sobre o leninismo, marxismo e maoísmo. Cuba, China, Rússia, Vietnã, Moçambique, Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe foram inspirações para a futura revolução timorense.

Tempos depois, essas influências contribuiriam para a transformação da Associação Social Democrática de Timor (ASDT) em somar com a criação da FRETILIN e também ajudariam na formação política da União Nacional dos Estudantes Timores (UNETIM) em 1975.

No mesmo ano, no dia 25 de abril, a Revolução do Cravos estourou em Portugal e derrubou o ditador Salazar. Com esse evento, a FRETILIN, depois de muita discussão e luta com os grupos opositores que discordavam da descolonização imediata, declarou unilateralmente a independência de Timor-Leste em 28 de novembro de 1975. Com o golpe da UDT contra a FRETILIN, eis que surge a instabilidade e a guerra se instala em Timor, culminando posteriormente na “justificativa” da invasão Indonésia.

Sa’he foi um grande companheiro de luta do presidente Nicolau Lobato. Formou vários quadros importantes da FRETILIN. Tornou-se Ministro do Trabalho e Providência do primeiro governo. Era um defensor do trabalho das cooperativas pois acreditava no fortalecimento da classe trabalhadora por meio do coletivismo e união dos povos oprimidos. Desde 1974, já lutava pela igualdade entre homens e mulheres, como contam as mulheres sobreviventes da Organização Popular da Mulher Timor (OPMT). Em 1977 foi escolhido Comissário Político Nacional. Durante a guerrilha revelou-se um verdadeiro estrategista sem nunca ter frequentado nenhuma escola militar. Essa é uma brevíssima descrição que amigos e parentes fazem do currículo do amigo e camarada Vicente.

Aos 26 anos de idade, em fevereiro de 1979, em Manufahi (entre Fatuberlio e Alas), Sa’he foi pego em uma emboscada feita pelos indonésios, ferido na perna sangrou dias até a morte. Teve uma vida muito curta mas a viveu intensamente guerrilhando nas montanhas pela libertação plena de sua pátria. Em 2007 sua ossada foi desenterrada, a homenagem de Holarua, coincidindo com três dias de retiro da Fretilin, foi uma cerimónia simples em que participaram alguns familiares. "Seguiu-se a parte religiosa, tradicional e católica: as duas juntas, completamente diferentes, decorrendo uma em frente da outra. Foi preciso, também, contentar a população da aldeia junto da montanha conhecida por Casa dos Morcegos, que cuidou 28 anos da campa de Vicente Reis. Assim explicou, à época, o ex-Primeiro Ministro Marí Alkatiri (Agência Lusa). Seus restos mortais hoje se encontram no ossuário particular da família em Bucoli.

Há um episódio da vida de Sa’he que ilustra seu pensamento sobre os riscos da guerra, quando seu pai Manuel dos Reis o alertou de que todos eles, os líderes, iriam morrer pelo inimigo, ele respondeu com um exemplo popular: “quando plantas arroz na várzea, antes de plantares abatem-se as árvores maiores para se obter produção. Assim também os líderes têm que morrer primeiro para a luta continuar”. Daí o lema “mate ka moris ukun rasik an” (Pátria ou morte, independência).Quando alguns diziam que não sobreviveriam ao inimigo, ele explicava que “quando se parte um galho de uma planta, outro nasce em seu lugar. Assim também as FALINTIL, quando um FALINTIL morre, outro nasce em seu lugar”.

Reza a lenda que Vicente não morreu. Vez por outra algumas pessoas dizem tê-lo visto vivo em algum canto de Timor. Quando o professor José Roberto Sanabria e eu entrevistávamos seu filho Talik Reis, perguntei sobre esse fato, de pronto ele nos respondeu: “O importante é que o camarada Sa’he não tenha morrido no coração do povo timorense; toda vez que eu ouço algo sobre o que meu pai fez, as pessoas que ele ajudou, a influência que ainda hoje exerce em muitos daqueles que o conheceram, certamente isso basta para dizer que Sa’he
vive”.

Vicente Reis acreditava na mudança e transformação do ser humano. Suas armas nas montanhas não eram apenas os fuzis roubados dos inimigos, mas as lapiseiras improvisadas feitas de graveto ou bambu preenchido com carvão. Na guerrilha Sa’he tinha a convicção de que a luta armada iria libertar a sua pátria, mas que somente a educação seria capaz de libertar o seu povo. Segundo o Prof. Dr. Antero Benedito, do Instituto Peace Center, do período da resistência timorense contra a Indonésia, “fala-se muito da guerrilha armada e pouco da revolução das lapiseiras”.

Em 1975, no projeto de descolonização,foi proposta uma Reforma do Ensino que viesse atender às necessidades do povo. O objetivo principal desse projeto inicial da FRETILIN era a alfabetização de todo o povo Maubere (como os portugueses chamavam os pobres de pés descalços). Para eles, alfabetizar não era apenas ensinar a ler e escrever, mas conscientizar e politizar as massas contra a exploração. Esse projeto educacional era uma das maiores armas que Sa’he e essa vanguarda revolucionária propuseram na luta anti-colonial e anti-imperialista.

O ensino era inspirado nas pedagogias revolucionárias de Amílcar Cabral, Samora Machel e Paulo Freire. Uma educação crítica, baseada nos ideais socialistas, totalmente adaptada à realidade timorense. A timorização da educação feita pelo povo e para o povo. Uma educação verdadeiramente popular.

Atualmente, Timor-Leste ainda não eliminou o analfabetismo, e o projeto educacional atual está cada vez mais longe dos ideais pelos quais muitos lutaram. Contundente, o veterano José Bonifácio afirma: “Libertaram a pátria, mas não libertaram o povo”. A presença da pobreza, do analfabetismo, a falta de qualificação e empregos são provas dessa afirmativa. Mesmo com a atual democratização do ensino ainda não houve a sonhada inclusão social. O projeto implementado em Timor pós-independência ainda não conseguiu eliminar o abismo existente entre as elites e os pobres. O desafio é proporcionar autonomia educacional e científica aos timorenses.

“A prática é o critério da verdade” – essa é uma das frases mais usadas por Sa’he – que acreditava que podemos definir uma pessoa por sua prática e não por seus discursos. Algumas pessoas que antes se diziam leninistas ou marxistas hoje são capitalistas. “Comodistas” – é assim que Marito Reis descreve alguns personagens dessa história atual. Com o discurso da globalização e do desenvolvimento de Timor, o capitalismo foi visivelmente incorporado. A partir de 1999, com o Referendo da ONU e a chegada do Banco Mundial, um novo projeto de nação entra em vigor. “Ajudar” no progresso e desenvolvimento dos países em crescimento são discursos usados por essas instituições que moldam sistemas de ensino e currículos de países inteiros de acordo com os interesses do capital estrangeiro. Para essas instituições, formar mão de obra para atender o mercado de trabalho é um objetivo muito maior do que formar intelectuais capazes intervir e mudar a realidade.

A Revolução do Povo Maubere foi um exemplo de luta anti-colonial e anti-imperialista. Restaurou-se a Independência de Timor-Leste, porém não se restauraram os princípios e valores educacionais defendidos por Sa’he e seus companheiros.

Prof. Mestre em Educação (PQLP/CAPES)
reinaldomarchesi@hotmail.com
Ilustração: José Roberto Sanabria

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Discurso De S.E. O Presidente Taur Matan Ruak No 13º Aniversário Da Restauração Da Independência De Timor-Leste

Maliana, 20 de Maio de 2015

PR Taur Matan Ruak. Maliana, 20 Maiu 2015
Excelências.

Povo de Timor-Leste.

Comemoramos em Maliana o 13.º Aniversário da Restauração da Independência. Saúdo o Reverendíssimo Bispo D. Norberto do Amaral e todos os religiosos e religiosas, da Diocese de Maliana e de todo Timor-Leste.

Este ano de 2015 evoca-nos de maneira especial a história da nossa Nação. Este ano comemoramos 500 anos do primeiro contacto com Portugueses.

Esse encontro foi seguido de contactos com missionários. Esses acontecimentos de há cinco séculos ajudaram a escrever a história da nossa terra.

Comemoramos esses primeiros encontros quando Timor-Leste tem a honra de presidir à CPLP, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

São duas realidades que simbolizam aspetos da identidade timorense: o Cristianismo e a Língua Portuguesa – língua adotada pela Resistência, porque nos distinguia e que contribuiu para a libertação nacional.

O Cristianismo é uma força inspiradora da espiritualidade dos timorenses. O trabalho da Igreja e dos religiosos deve tornar-se exemplo das qualidades timorenses, ao serviço do bem e das pessoas vulneráveis, em todo o país.

Somos uma nação asiática, Cristã e com fortes ligações a vários países irmãos, de outros continentes.

Além da língua, nós e os irmãos da CPLP partilhamos valores e muita história.

A solidariedade fraternal dos povos da CPLP, durante 24 anos, teve uma enorme importância na luta pela Independência.

Agora, a integração harmoniosa do país na comunidade internacional é também muito importante para consolidar o Estado e desenvolver Timor-Leste.

Como Nação asiática, queremos aprofundar a nossa participação na vida da região. A futura adesão à ASEAN é um passo para este objetivo.

O município de Bobonaro inclui uma região vasta da nossa fronteira internacional.

O povo de Bobonaro conhece a importância da estabilidade e da paz para o comércio e para o desenvolvimento da economia.

A política de amizade e reconciliação entre Timor-Leste e a Indonésia – a cooperação entre os nossos países, e igualmente com a Austrália – são contributos poderosos para a estabilidade, o desenvolvimento e o reforço da economia regional.

Em Abril, encontrei-me com o senhor Presidente Joko Widodo da Indonésia. Eu e ele concordámos em dar imediatamente um impulso renovado à negociação das fronteiras entre Timor-Leste e a Indonésia, especialmente a fronteira marítima.

A fronteira terrestre está definida a 98%. Isso oferece segurança às comunidades dos dois lados e contribui para desenvolver os contactos familiares e as relações comerciais.

A segurança das pessoas e o aumento do comércio são vantajosos para a economia de Maliana e do município de Bobonaro.

Timor-Leste já propôs também à Austrália o início de negociações para definir a fronteira marítima comum.

Continuamos a aguardar resposta à nossa proposta.

Timor-Leste vê o desenvolvimento do país como um processo que deve trazer vantagens para todas partes envolvidas.

O desenvolvimento deve gerar novas oportunidades de comércio e cooperação com regiões vizinhas, de Timor-Leste a Darwin e ao Norte da Austrália e às províncias indonésias próximas.

A maior parte dos empregos diretos gerados pela nossa economia continuam a ser criados em Díli.

O processo de desenvolvimento tem de contribuir rapidamente para promover a criação de emprego noutras zonas do país.

A cooperação tripartida, que desejamos alargar, entre Timor-Leste, Indonésia e Austrália irá estimular o crescimento económico numa região muito vasta, incluindo Oecusse, Ataúro, Bobonaro, Covalima e territórios vizinhos.

Acreditamos na cooperação mutuamente vantajosa, para construir bem-estar para as nossas comunidades e as comunidades das regiões vizinhas.

Este processo mostra-nos a importância das relações internacionais na consolidação do Estado e no desenvolvimento do país.

Hoje condecorei pessoas e organizações internacionais que se destacaram pelo apoio empenhado e confiável à nossa luta.

Alguns não puderam deslocar-se aqui hoje, por razões de saúde.

Reconhecemos 35 amigas e amigos cujas contribuições para a vitória e a Restauração da Independência foram importantes. Vêm de muitos países:

Na Ásia-Pacífico – vêm da Austrália da Indonésia, do Japão, da Nova Zelândia, das Filipinas; de Vanuatu, honramos a memória de um amigo do nosso povo, a título póstumo.

No mundo da Língua Portuguesa, homenageamos ativistas e jornalistas de Portugal e os PALOP, organização dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa.

Estes países irmãos deram um apoio inabalável à nossa luta, com destaque para Angola e Moçambique, mas incluindo também a Guiné-Bissau, São Tomé e Cabo Verde.

Quero expressar-vos a minha satisfação por agraciar o Reverendíssimo Bispo Emérito de Setúbal, D. Manuel Martins. Ele bateu-se toda a vida pela Justiça, em Setúbal, Portugal e no mundo. O seu apoio e carinho para Timor-Leste estão guardados no meu coração.

No continente americano, reconhecemos a solidariedade e apoio combativo de congressistas, ativistas e organizações da sociedade civil dos Estados Unidos e do Canadá.

A sociedade civil no Canadá, Estados Unidos, e também muitos representantes eleitos pelo povo americano foram influentes e ativos ao longo dos 24 anos de luta.

Envio um abraço emocionado a todos os nossos amigos. Em primeiro lugar, ao Professor Noam Chomsky, pela liderança extraordinária e exemplo inspirador do respeito pelos direitos civis e os Direitos Humanos, nos Estados Unidos e em todo o mundo, há seis décadas, ou mais. O seu apoio a Timor-Leste continua tão inabalável hoje, como foi na denúncia da ocupação.

Na Europa, a Irlanda teve sempre um forte movimento de solidariedade com a Resistência. A solidariedade dos europeus foi forte em outros países também e tem sido reconhecida através de condecorações noutras ocasiões.

Jornalistas corajosos, de Portugal e outros países deram a conhecer ao mundo a Resistência Timorense e a violação dos Direitos Humanos na nossa terra.

A liberdade de imprensa no mundo ajudou a promover a solidariedade de outros povos com a luta dos timorenses!

Envio um abraço ao irmão Max Stahl, a quem desejo melhoras da sua saúde.

Muitos amigos e amigas de Timor-Leste organizaram e lideraram redes de apoio à Resistência nas sociedades civis dos seus países. Ajudaram a recolher apoio financeiro e outro apoio material, e mobilizaram a opinião pública mundial contra a ocupação de Timor.

Acredito ter a compreensão e o apoio de todos ao mencionar especialmente o ativista indonésio Liem Soei Liong, líder histórico da Tapol, organização de defesa dos Direitos Humanos na Indonésia. O Tapol esteve sempre entre as vozes destemidas contra a opressão dos timorenses.

A diplomacia da Resistência e a solidariedade internacional contribuíram para isolar o regime de Suharto e focar a atenção de líderes mundiais em Timor.

Os nossos diplomatas sob a direção nacional da luta ajudaram a impor a visão timorense no modelo do referendo de 1999.

Abraço os irmãos e irmãs da Frente Diplomática que durante 24 anos acreditaram na vitória e não esqueceram o sofrimento do povo dentro do país.

Abraço especialmente o pai da nossa diplomacia, o meu irmão Ramos-Horta.

A sua capacidade tem sido reconhecida pelas Nações Unidas que lhe têm confiado missões de alta responsabilidade e ele continua a honrar o nome de Timor no mundo.

A diplomacia da Resistência amplificou a ação da frente armada e da frente clandestina, aumentado o seu impacto interno e internacional.

Agora, os embaixadores de Timor-Leste e todos os nossos diplomatas têm de desenvolver uma diplomacia proativa, inspirando-se nas lições da Resistência.

A diplomacia timorense tem de mostrar ao mundo a estabilidade do país, os êxitos do nosso povo e as oportunidades de investimento, em projetos mutuamente vantajosos para o desenvolvimento do país e os investidores.

As fronteiras internacionais de Timor-Leste são espaços de entendimento, amizade e cooperação. O nosso país é um parceiro estável e previsível, inspirador de confiança, na região e no mundo.

Irmãos e irmãs.

Sem estabilidade, não há desenvolvimento.

A paz, a segurança de pessoas e bens, a confiança na Justiça e o respeito da lei são indispensáveis para atrair investimento e promover o desenvolvimento.

Se os timorenses não estiverem unidos, outros aproveitam a nossa fraqueza, afetando a soberania nacional.

Temos de estar unidos e reforçar a estabilidade, para implementar a nossa estratégia de desenvolvimento e fintar quem nos quer mal.

No mundo globalizado dos nossos dias, os resultados económicos dependem do desenvolvimento interno e também do êxito na competição internacional.

Por isso Timor-Leste trabalha para tornar a cooperação económica e empresarial um novo eixo da ação da CPLP, não só no atual biénio mas para o futuro. Em certo sentido, as fronteiras de Timor-Leste são mais vastas e estendem-se a outros continentes, onde estão os irmãos da CPLP.

Nenhum país tem êxito sozinho. A confiança e o respeito internacional são importantes para o nosso desenvolvimento.

Durante a luta, o apoio do povo aos combatentes, a credibilidade e o respeito internacional pela Resistência foram construídos, passo a passo:

- Com políticas moderadas e inclusivas, aprovadas pela direção central da luta, nas montanhas;

- E com uma diplomacia diligente e credível, que ajudou o mundo a conhecer-nos e a acreditar nos timorenses.

Agora, a credibilidade e o respeito internacional pelo país continuam a ser construídos, também passo a passo, todos os dias:

- Com políticas moderadas e inclusivas da liderança nacional, para reforçar a estabilidade e promover o crescimento sustentável, para ajudar a melhorar a economia das famílias e reforçar o setor privado nacional.

- E com a intensificação de uma diplomacia sempre credível e diligente, capaz de transmitir a estabilidade em que vivemos e de reforçar a confiança da comunidade internacional em Timor-Leste.

A nossa diplomacia é uma ferramenta que ajuda a implementar as prioridades de desenvolvimento que aprovámos.

O Estado está a realizar grandes investimentos para desenvolver o país.

Alguns resultados são já visíveis. Um deles é a rede elétrica nacional. A eletricidade chega já à maior parte do país. Dentro de algum tempo, irá chegar a todos os sucos e aldeias da nossa terra.

Estamos a investir na construção e melhoria da rede nacional de estradas.

Algumas obras importantes serão realizadas em parceria entre Timor-Leste e instituições da comunidade internacional ou parceiros de desenvolvimento.

Esta solução começou a ser implementada pelos governos anteriores. Desejo que a experiência destas parcerias assegure maior qualidade das obras e maior rapidez na sua implementação.

As parcerias para implementação de infraestruturas enriquecem a experiência e capacidade de realização dos serviços de Obras Públicas e de aquisição de bens e serviços pelo Estado.

Devemos sempre aprender, para podermos fazer mais e melhor.

Neste momento, o Estado está a fazer investimentos vultuosos em dois polos de desenvolvimento em Oe-cusse na Costa Sul.

O objetivo é estimular o aproveitamento das riquezas e do trabalho das comunidades nestas regiões e atrair investidores para desenvolver o setor produtivo e criar mais empregos.

Estes polos devem tornar-se motores do crescimento económico regional para dinamizar não só a economia de Timor-Leste mas também as trocas comerciais com as regiões vizinhas da Austrália e Indonésia, com vantagens para todas as partes envolvidas.

Temos de avançar tão rapidamente quanto for possível e criar mais centros de dinamismo económico noutras regiões.

Só investindo em polos de desenvolvimento podemos aproveitar os recursos da nossa terra e o trabalho dos agricultores. É muito importante planear para proteger e alargar as zonas agrícolas. Não podemos continuar a importar quase tudo o que comemos ou bebemos.

Vamos trabalhar juntos para assegurar o desenvolvimento sustentável de todas as regiões de Timor-Leste e aproveitar bem as riquezas naturais do país.

O Estado tem de aumentar a qualidade dos serviços e reduzir a burocracia.

A maior parte da população vive fora da capital, mas a Administração pública continua, na sua maior parte, concentrada em Díli.

O Estado tem de levar os serviços públicos à população – a todo o país.

A participação e envolvimento dos cidadãos no desenvolvimento nacional têm de tornar-se uma prioridade e um método de trabalho da Administração.

A melhor maneira do Estado ser eficiente a nível local é promover a participação das populações interessadas, corresponsabilizar as comunidades pela implementação dos projetos e prioridades locais.

Elas sabem melhor do que ninguém aquilo de que precisam.

Excelências.

Irmãos e irmãs.

Completam-se hoje 3 anos sobre a data da minha posse como Presidente da República. O país não esteve parado durante este tempo. As condições de vida melhoraram em alguns sucos.

Mas as carências continuam a ser grandes. Temos de trabalhar determinados para melhorar da vida em todas as aldeias e sucos da nossa terra.

Estes anos têm sido de paz e estabilidade.

A estabilidade é possível porque o povo escolheu a paz e tem tido um comportamento responsável perante o presente e o futuro.

Temos um novo governo e um novo primeiro-ministro.

A passagem de maiores responsabilidades da geração de 75 para a geração de Santa Cruz decorreu de forma tranquila e sem sobressaltos.

Esta realidade é positiva e de saudar.

Existe um largo consenso sobre a necessidade de aumentar o rigor e qualidade dos serviços públicos, de reduzir o desperdício e gastar dinheiro do Estado com cuidado e consciência, enfim sobre a necessidade de descentralizar e corrigir a organização dos departamentos quando o seu desempenho não é aceitável.

Os membros do governo têm o dever de serem os primeiros a dar o exemplo. Mas esse dever não é só dos membros do governo. É um dever de todos os cidadãos perante a Nação, incluindo do Presidente da República. A terra de Timor precisa da dedicação de todos nós.

Os trabalhadores, os cidadãos todos, preocupam-se com a sua situação e das famílias – isso é normal, mas não pode ser tudo: temos de pensar também no país.

Para desenvolver e melhorar a vida de todos na nossa terra amada, temos de pensar no interesse do país, não só no interesse individual. Só unidos e com dedicação a Timor podemos alcançar uma vida melhor, num país melhor.

Todos juntos, podemos fazer melhor.

Assim Deus nos ajude e abençoe todos nós.

Haksolok ba Loron Restauração da Independência ba Dala 13


Restaurasaun da Independencia de Timor-Leste ba dala 13! 

Parabens no Haksolok ba Ita Timor oan hotu nia LUTA no Determinação durante decadas 2 nia laran, no Obrigada mos ba Comunidade Internacional sira nebe fo apoio no soliedariedade ba ita nia Luta hodi Kore-A'an husi susar no terus hodi UKUN RASIK A'AN. VIVA TIMOR LESTE!

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"És viva" A todas as mulheres Estás triste, Estás só Porque ninguém te fala Porque ninguém te liga Ninguém quer saber d...