imor-Leste’s big-spending leaders are squandering its savings Kembalinya anak Timor Leste yang ‘diambil paksa’ oleh TNI Legacy of Mass Torture and Challenge for Reform Ocupação humana na ilha timorense de Ataúro tem pelo menos 18 mil anos 20 de Maio - Tempu ba reflexaun..
We are proud to release in this market the first lines of fragrances Buibere for Her and Maubere for Him. Together with glass handcrafted gifts perfect for Christmas.
BEM VINDO E OBRIGADO PELA VISITA!

sábado, 6 de setembro de 2014

Obrigada Timor-Leste por fazeres de mim uma pessoa melhor

Timor-Leste, o sítio onde tudo é inesperado e diferente. Saudades de 6 meses na ilha do Lafaek (crocodilo em tétum)

Regina Azevedo Pinto
A primeira impressão é sempre sáfara, ardilosa e algo ofuscante, mas com o tempo, acaba por se tornar perceptível, legendada e doce. Afinal, Timor-Leste é bonito! Após ter vivido 6 meses na ilha do Lafaek (crocodilo em tétum) os sentimentos convertem-se. Quando se viaja e transferimos o nosso pesado invólucro que, se arrasta pelo chão dos vícios, mimos e hábitos traiçoeiros é necessário criar uma distância deste, sussurrar-lhe calmamente ao ouvido e despi-lo devagar, como se fosse uma criança que decide fazer birra.

Assim, ele vai cedendo, esmorecendo, sucumbindo, as curvas plissadas dissipam-se, perdendo cor e ficando mais macerado. Aí, é altura de o começar a moldar novamente e adaptá-lo, com calma e sensatez. E educá-lo para algo que é novo e desconhecido e explicar-lhe que o que é novo não é necessariamente mau. Com tempo, as birras diminuem, a alma torna-se mais inócua e predisposta. Tempo de iniciar a caminhada com uma mente lenitiva e ávida de experiências, pronta a derrubar a miopia cultural!

Tudo se move, languidamente, com pés de chumbo, bem devagar, devagarinho, com muita calma, os ponteiros fleumáticos do relógio arrastam-se e oscilam paulatinamente. Há tempo para tudo, um tempo bailarino e harmonioso sempre ao som das colunas das microletes românticas com nomes como “Amo-te”, “Saudade” ou “Cristiano Ronaldo”, dos apitos frémitos de saudação persistente dos taxistas e das vozes inquietantes que pregam partidas ao nosso coração com expressões como "pulsa? pulsa? sim card?”.

Timor-Leste, o sítio onde tudo é inesperado e diferente. O sal assemelha-se a açúcar e o açúcar ao sal, quantas vezes me enganei a fazer o arroz, um arroz de tomate doce. A expressão constante nos cafés do “há, mas não tem”, que nos faz sorrir todos os dias.

Os olhares longos e cépticos dos timorenses, desconfiados mas simpáticos. O ar quente e húmido que nos abraça e dificulta a respiração, as constipações devido às alterações climatéricas causadas pelo ar condicionado. Os pastéis maravilhosos da D. Fina na areia branca e a maravilhosa água de côco. A condução a ziguezague que aprendemos a ter devido aos buracos constantes na estrada e o vício que se desenvolve por regatear todos os preços, que saudades!

Aquilo que recebemos das outras culturas é algo que ninguém nos pode retirar; podem-nos tirar tudo, penhorar sonhos, hipotecar sentimentos, mas aquilo que vivemos e sentimos é nosso e isso está guardado num cofre à prova de estereótipos e inveja. Já faz parte de nós, do nosso ADN, nunca voltamos iguais!

Obrigada Timor-Leste por fazeres de mim uma pessoa melhor. Por me reiterares a ideia de que estamos em constante mutação espiritual, por me ajudares a encontrar 10% de mim própria, por me ensinares que posso comer arroz e frango com uma colher. Que posso viver com menos daquilo que eu pensava, que posso tomar banho de água fria e não me queixar, por me fazeres deixares de gostar de expresso e apreciar café Timor, por me tornares mais benevolente, pela companhia garrida e deambulante, por me fazeres crer que a vida é aquilo que nós queremos que seja e, por fim, por teres aumentado a minha inteligência emocional!

Se tudo isto fosse quantificável, teria de pagar um excesso de peso colossal no aeroporto internacional presidente Nicolau Lobato. O que me vale é que as balanças do aeroporto ainda só detectam a quantidade e não a qualidade!

Por Regina Azevedo Pinto
http://p3.publico.pt/node/9591


Sem comentários:

Enviar um comentário